A Água, o Hemísfério e a Força de Coriolis
Escrito por Zé
Muita gente já discutiu o pseudo fato de que no hemisfério sul a água da pia ou do vaso sanitário gira em direção oposta ao hemisfério norte. Na época que eu ouvi esta história fiquei meio grilado com o assunto, mas agora com um amigo morando no hemisfério (bem) norte eu resolvi tirar esta história a limpo.
A primeira coisa que fiz foi pedir para que o Dr. Ralpho Novaes (meu amigo que mora no Canadá) fizesse um vídeo e mandasse para mim, enquanto que eu iria produzir o mesmo material aqui em casa (eu moro na Australia). Uma vez tendo os vídeos em mãos poderia comparar e ver se realmente há algum fundo de verdade nesta prosa.
Bem... o resultado é o que mostra abaixo:
| Prova A - Canadá | Prova B - Austrália |
Como o nobre leitor(a) pode perceber, não há diferença alguma na direção em que a água gira ao descer pelo cano.
Mas, se a coisa toda é tão facilmente comprovada, porque fala-se tanto nisso?
Bem... foi ai que eu pesquisei um pouco mais, e encontrei um artigo muito legal na internet escrito pelo
Prof. Ronaldo Barbosa Alvim dizendo o seguinte:
"Outro dia, vi um episódio de desenhos animados onde diziam que em um hemisfério da Terra o água do vaso sanitário gira para a esquerda e no outro hemisfério gira para a direita. Isto está certo? A resposta mais correta é: "Sim, é certo que a água gira em um sentido no hemisfério norte e ao contrário no hemisfério sul. Mas não é certo dizer que possamos comprovar isto em um vaso sanitário ou mesmo na pia do banheiro". Vejamos que há detrás desta "misteriosa" resposta.
A Força de Coriolis nos diz que um fluido que se encontra numa superfície em rotação descreve uma aceleração perpendicular ao movimento da superfície. Podemos comprovar isto nas fotos de satélite: quando vemos uma tempestade no hemisfério norte a massa de nuvens sempre gira no sentido contrário aos ponteiros do relógio, mas se a tempestade estiver no hemisfério sul as nuvens se moverão em sentido horário.
Se a Terra não estivesse rodando estas nuvens teriam forma de estrela, com o centro no ponto de menor pressão. Mas como existe uma rotação, a Força de Coriolis faz com que as nuvens descrevam um movimento conhecido como ciclônico. Então, por que não podemos vê-lo no banheiro? A força de Coriolis é muito, muito pequena. Ela depende diretamente da velocidade angular da Terra em torno de seu eixo, o que lhe dá uma velocidade de 1 volta por dia. Assim, quando ativamos a descarga de um vaso sanitário há forças muito maiores geradas pela turbulência da água que cai, a forma assimétrica do vaso, etc. Entre tantas forças o efeito de Coriolis se perde e e é impossível que possamos comprovar empiricamente sua presença.
Logo, a água pode girar em qualquer sentido. O mesmo acontece com a água em uma pia, por exemplo, onde qualquer pequeno movimento da água já comporta uma inércia suficiente para superar a pequeníssima força de Coriolis. Mas, com muita paciência, podemos comprovar que a força de Coriolis está aí. Pegamos uma bacia perfeitamente redonda (simetricamente perfeita) e fizemos um pequeno furo em seu centro. Depois tampamos o buraco do lado de baixo da bacia e a enchemos de água. Em seguida, a deixamos em um lugar onde não seja atingida pelo vento por alguns dias para assegurar-nos de que não existe nenhum tipo de movimento no água.
Feito isto, abrimos o buraco e esperamos. Como fizemos um buraco muito pequeno, dado que a força de Coriolis é muito pequena, toda a massa de água demorará a acelerar, mas finalmente veremos como a água gira no sentido horário se estivermos no hemisfério sul, ou ao contrário se estivermos no hemisfério norte."
Bom, mediante tamanha explicação, acho que não tem mais o que se discutir, certo?
Fonte do Artigo: Conceito A




